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Uma breve reflexão sobre maquiagem e masculinidade

Durante muito tempo, principalmente na minha infância e adolescência, pensar em maquiagem, era algo exclusivamente para mulheres. E acredito que para muitos de vocês também. Afinal, crescemos em uma sociedade que vendeu a ideia de que tais cosméticos fossem de fato apenas “para mulheres”, para deixá-las “delicadas e perfeitas” e, opostamente, que homens deveriam se mostrar másculos e rústicos, afastando-nos desse mercado. E até há pouco tempo esse era o consenso popular construído sobre esse tema. Felizmente os tempos estão mudando...

Quando olhamos para a história do mundo, vemos que a maquiagem sempre esteve presente, tanto na vida dos homens quanto das mulheres e que, dependendo da cultura e religião locais, o significado dado à ela era outro além do estético. Como informado pelo Instituto Divas em seu artigo “A História da Maquiagem: Das Civilizações Antigas ao Estilo Moderno”, a maquiagem:

  • continha "propriedades protetoras e mágicas";

  • era usada para homenagear divindades;

  • e, dependendo do estilo de maquiagem aplicado, era um classificador social.

Mas é engraçado pensar que foi no penúltimo século, graças à grande influência de estrelas como Marilyn Monroe, Judy Garland e Audrey Hepburn que exibiam uma pele lisa, jovem e muito bonita, ou seja, uma pele considerada "perfeita", que tivemos uma fixação maior de que maquiagem é para o público feminino e essa ideia foi usada por parte de campanhas de marketing das empresas de cosméticos que vendiam tal “perfeição” em pós compactos, bases, fixadores, lápis de olho, e tantos outros produtos. Iniciando nessa época o apego comercial na vaidade e a busca pela juventude.


No entanto, nas últimas décadas, principalmente a partir da década de 2010, esse pensamento de produto voltado exclusivamente para mulheres vem se desmontando. Mesmo que o público consumidor ainda seja em sua maioria feminino, conforme divulgado pelo SEBRAE em sua pesquisa de mercado:

As mulheres gastam por ano, em média, R$ 1.530 em cosméticos, enquanto os homens destinam R$ 880 ao ano para esses produtos.

É possível atribuir essa desconstrução à discussão que começou em 1994 mas só ganhou mais visibilidade no começo da década passada, em 2012 para ser exato, sobre a “Metrossexualidade”, que aqui no Brasil foi atribuída ao homem que “gosta de se cuidar”. Lembro-me na época que na internet, principalmente no twitter (hoje, X), existiam vários comentários negativos para quem precisava se assumir “metrossexual” para dizer que era vaidoso, como se isso fosse algo negativo. Mas era fruto da masculidade frágil. (Que ainda persiste hoje em dia só que de outras tantas maneiras, né?!)


Além das discussões nas redes sociais, outro fator da internet que ajudou essa nova mentalidade foi a criação de conteúdo desse tema voltada para homens incentivando o autocuidado começar a crescer no Youtube. Primeiramente com canais voltados para a comunidade LGBTQIAP+, com foco inicialmente no público Gay, como o canal ParaTudo da LorelayFox - que estourou em 2015/16, e pegou carona na tendência "Drag" que estava crescendo lá nos EUA anos antes com o Reality Show “Rupaul's Drag Race” - que fazia diversas reflexões sobre variados assuntos maquiada. Um exemplo de discussão que acontecia no seu canal naquela época é sobre justamente a masculinidade frágil:

Porém, no lado aposto, para reafirmar a sua masculinidade surgiram mais canais com uma linguagem e visual mais “máscula”, menos artísticas e mais limpas, criados por homens héteros para atingir aqueles homens que queriam se cuidar mas sem serem vistos como “menos homem”. Um exemplo desse estilo é o canal Macho Moda.

 

Mas, afinal, maquiagem é um produto só para mulher?

 

Não. Definitivamente, não é só para mulheres!


Como eu tentei explicar brevemente acima, maquiagem é utilizada desde os primórdios da humanidade por todo mundo, mesmo que com outro nome, e que durante a evolução humana foi imposto como um símbolo de feminilidade para um único perfil.


São inúmeras as discussões que podemos fazer acerca desse tópico, como a pressão estética imposta em cima da maquiagem, e beleza no geral, causa várias feridas e até mortes no seu público alvo, a falta de produtos que contemplem todos os tipos de pele durante décadas, principalmente as peles negras, se existe um excesso no consumo desses tipo de produto ou, indo mais a fundo, sobre o processo de empoderamento que a maquiagem pode fazer nas pessoas. (Inclusive tenho ideias futuras sobre esse ponto. Quem sabe, vem aí?)


O mais importante, é entender que hoje, depois de muitas reflexões que aconteceram e seguem acontecendo, as barreiras que impedem os homens de se sentirem bem usando nem que seja apenas uma base corretiva, estão caindo por terra. Que sigamos assim para que em um futuro não tão distante a maquiagem possa voltar a ser apenas um produto sem distinção de sexo como antigamente e que possa ser vista como uma empressão artistica ou apenas um toque na autoestima. Mas sem excessos, rs.

 

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