top of page

Afinal, o que é essa tal felicidade?

Atualizado: 3 de jun.

Vários Filósofos já tentaram responder a essa pergunta de valor incalculável:

O que é a felicidade?

Cada um de nós que tentar responder dará uma resposta singular e individual.


Existe uma caracterização de que a felicidade nada mais é que ter saúde, amor e dinheiro suficiente. Basicamente aquele ritual de passagem de fim de ano, onde cada um escolhe uma cor de roupa que contém seus significados, porém, nada mais é do que a cor de uma vestimenta.


Desculpa gente, mas isso é tipo acreditar em Papai Noel.


Mas essa é uma questão que aflige o ser humano há tempos. Rebobinando a fita (muitos nunca viram na prática o significado dessa expressão. Rs) e indo lá para a Grécia Antiga, berço da curiosidade humana, esse tema fez parte de uma das primeiras reflexões filosóficas sobre ética e perseguiu (e ainda persegue) filósofos desde então. Não sou letrada em Filosofia, mas sou uma observadora da vida, então segue na viagem aqui da tia.

A citação mais antiga que existe sobre o assunto é um fragmento de texto de Tales de Mileto que viveu entre o fim do século 7 a.C e começo do 6 a.C. De acordo com Tales é feliz “quem tem corpo são e forte, boa sorte e alma bem formada”.

Com isso em mente e aludindo aos tempos mais remotos, a história mostra que nossos antepassados se exercitavam muito mais do que nós hoje em dia pois tinham que caçar, andar quilômetros a pé entre outras coisas. Com isso, o cérebro produzia mais serotonina, conhecida como o hormônio da felicidade. Dito isso, pode-se fazer um paralelo entre o que Tales disse e o que vivenciamos atualmente?


Demócrito de Abdera, acreditava que a felicidade era “a medida do prazer e a proporção da vida” e, somente deixando de lado as ilusões e os desejos, o homem alcançaria a serenidade e a filosofia seria um meio de ajudá-lo nesse processo.

Sócrates, deu um 360º à consciência da ideia de felicidade, na sua visão ela não estava apenas ligada à satisfação dos desejos e necessidades do corpo, porque no seu entendimento o homem não era tão somente o corpo, mas alma também. Sendo assim a felicidade era o tesouro da alma e só seria alcançada com uma conduta virtuosa e justa. Para o filósofo, passar por uma injustiça era mais sensato do que praticá-la e, por esse motivo, não se acovardou diante da condenação à morte por um tribunal ateniense certo de estar sendo justo. Bebeu a taça de veneno que lhe impuseram e parecia feliz aos que assistiam seu fim.

Platão, considerado o maior discípulo de Sócrates, levou o trabalho do seu mestre adiante e seguiu a ideia de que a função da alma é ser virtuosa e justa, sendo assim se você exercer a virtude e a justiça, obtém a felicidade.


Aristóteles julgava que, como seres racionais que somos, felicidade era o exercício do pensamento. Ele também considerava a política um prolongamento da ética e, nesse sentido, era função do Estado criar meios para o cidadão ser feliz. (Vale uma profunda reflexão acerca da visão de Aristóteles.)


Pulemos uns bons anos e vamos ao que Kant (1724- 1804) dissertava sobre a felicidade.


Para ele, a felicidade está na esfera do prazer e do desejo, não a relacionando com a Ética e, desse modo, não possui interesse à investigação filosófica. Seu discurso foi tão expressivo que, depois dele, a felicidade simplesmente sumiu das obras das escolas filosóficas que vieram posteriormente.


Não vou citar aqui todos os pensadores até porque são muitos e acredito que essa introdução possa aguçar a bisbilhotice de vocês e procurar mais sobre o tema, afinal, como disse Hamlet em uma peça de Shakespeare, "Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia".


Uma curiosidade que deve ser dita é que em alguns períodos, como o pós Kant (pois houveram outros antes dele), a felicidade sumiu do âmbito filosófico. De acordo com o filósofo espanhol Julián Marías (1914 – 2005) que também se debruçou no tema produzindo um livro chamado “A felicidade humana” onde ele estuda a história dessa ideia, da Antiguidade até hoje, destacando que a falta da reflexão filosófica acerca da felicidade no mundo contemporâneo talvez seja um sintoma de como esse mundo anda muito infeliz.


Agora vem a parte onde essa que vos escreve começa a filosofar.


Há um ditado popular que diz que dinheiro não traz felicidade e já ouvi uma continuação que é, "mas manda comprar".

Será que podemos comprar felicidade? O que vocês acham?

Hoje em dia nota-se uma crescente gama de cursos e workshops sobre a felicidade. Mas ninguém pode ensinar, você é o seu próprio mestre.

Na minha opinião, nós não somos felizes.


Vivemos pequenos momentos de felicidade. Agimos como se fôssemos felizes o tempo todo porque hoje em dia parece ser proibido não ser feliz. Não ser feliz não significa ser infeliz. Estamos em um estado neutro. Felicidade para mim é receber uma notícia boa de alguém que eu goste, é sair e olhar o céu, é sentir o vento no rosto, é tomar um sorvete gostoso, é aprender algo novo, se arriscar a fazer algo diferente e que te tire da zona de conforto. São pequenas coisas. E é por isso que nossos momentos de felicidade são breves e devemos aproveitá-los na sua maior intensidade.

Conversando com um bom amigo para tentar organizar melhor o meu viés acerca da felicidade ele me disse que "Talvez a jornada seja a felicidade e ninguém sacou ainda." e fiquei com essa frase martelando na cabeça.


Que tal parar de buscar felicidade em livro de autoajuda e vídeos motivacionais e viver um pouco?

Observe ao seu redor, olhe para sua caminhada até aqui e reflita se já fez ou faz algo que julgue significativo. Talvez a nossa jornada seja de fato a felicidade, mas ficamos tão alienados em busca dela que esquecemos de aproveitar essa incrível felicidade que é estar vivo, mesmo que tenhamos nossos momentos neutros ou infelizes. Feliz daquele que tira proveito de todos esses instantes e aprende com eles pois, quem sabe, pode ele ser de fato o feliz.

Concluindo, seja insano, curioso, criativo.


Se aventure por mares nunca navegados.

Seja experimentador.


Faça como o Simba do Rei Leão, "ria na cara do perigo", mas com moderação.


Vá pra Bolívia andar de bicicleta na Estrada da Morte (uma amiga minha foi e voltou viva!).

Se declare para aquele contatinho.


Não espere a felicidade te agarrar, chegue na frente e a agarre primeiro.


Porque para mim a felicidade continua sendo fugaz, então desfrute, viva, porque a vida é apenas um sopro.


OBS: Será que rola um debate sobre essa reflexão nos comentários? Estou curiosa para saber o que pensam!



281 visualizações3 comentários

Posts recentes

Ver tudo

3 Comments

Rated 0 out of 5 stars.
No ratings yet

Add a rating

Que tema e texto excelentes! Adorei.


Eu acho que toda essa falta de filosofia nas nossas vidas, ou melhor, da reflexão acerca da vida, tenha piorado com a inserção das redes sociais nas nossas vidas, da internet etc.


Também não nos damos mais o direito de ter períodos de ócio, estamos sempre nos cobrando de estarmos fazendo algo, mesmo que não precisemos. Essa é uma cobrança que vem também do sistema econômico, pois o capitalismo cobra produtividade da gente. Além disso, hoje em dia todos tem acesso a tudo o tempo todo e, se nos desligamos, estamos perdendo algo.


Antigamente, se falávamos a nossa língua materna e mais uma já éramos grandiosos, hoje em dia precisamos de no mínimo três.…


Like

Unknown member
Oct 27, 2020

Eu nunca tinha pensado na parte que fala... Que não estar feliz não significa estar infeliz. E concordo temos momentos felizes e colecionar eles nos fazem pessoas de sorte e por que não felizes?

Like

Unknown member
Oct 26, 2020

O grande lance é que focamos na felicidade e achamos que o contrário dela é ser infeliz, por isso quando nos perguntam hesitamos em responder pq vem logo aquele pensamento "putz, meus momentos de felicidade são breves, o que devo responder? Vão pensar que sou infeliz." e ninguém quer parecer infeliz na fita!

Like
bottom of page