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Eu não sou eu quando falo Inglês.

Faço parte da maioria da população brasileira quando o assunto é “Inglês”: tive pouco acesso ao longo da vida. No máximo, um “Inglês de escola” e estudos por fora, através de músicas, filmes e por aí vai.


Há alguns anos, cheguei a estudar Inglês de maneira tradicional, aprendi gramática, melhorei minha leitura e escrita… Foi ótimo, mas durou apenas um semestre. O motivo da desistência: eu simplesmente não conseguia me comunicar. Era travada, me sentia esquisita e que faltava alguma coisa. É verdade que no método tradicional que estudei havia poucos momentos de grande interação e os papos em Inglês acabavam sendo mais voltados aos exercícios dos livros do que a conversas da vida real, o que tornava tudo ainda mais frustrante.


Anos sem estudar o idioma e lidando com essa frustração: evitar viagens para fora, oportunidades de emprego no exterior, me privar de realizar leituras/assistir filmes na língua inglesa por não achar que eu conseguiria.

2023 veio com surpresas em diversas áreas da vida. O Inglês foi uma delas quando conheci a TALKNTALK e entrei de cabeça nas imersões, que são as conversas simulando um dia-a-dia, em que podemos falar sobre assuntos diversos e relevantes. Em um período recorde nunca antes vivenciado, ampliei meu vocabulário e, principalmente, destravei de vez a língua: consigo falar e me expressar (às vezes não sei uma palavra ou outra, mas isso é facilmente resolvido), sem vergonha ou grandes “travas” como antes. Que maravilha!



No entanto, ainda sinto que “algo não se encaixa”.

Não me sinto “eu mesma” quando falo em Inglês.



Sempre pensei que essa sensação ocorresse devido a falta de vocabulário ou por me sentir envergonhada em falar outro idioma, com medo de errar e tudo mais. Mas, agora, apesar de não ser totalmente fluente, não tenho mais a trava e a sensação permanece.

Curiosa para entender o “porquê” desse sentimento, me deparei com a recente participação da atriz Bruna Marquezine no podcast Lone Lobos, apresentado por Xolo Maridueña. Além de contar sobre sua estreia em um filme norte americano, “Besouro Azul”, a Bruna compartilhou sobre a sensação que tem ao falar Inglês: não conseguir se expressar direito e se sentir uma versão menos engraçada, espontânea e interessante sobre si mesma, mesmo sendo fluente da língua.


E por que eu, Bruna e tantos colegas que já conversei se sentem assim?


A resposta está na cultura: somos seres culturais e as línguas estão inseridas nesse contexto também.

Nasci e cresci no “país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza”, como já dizia Jorge Ben. Passei a vida toda ouvindo, falando, lendo e escrevendo em Português, essa língua que tem diversas nuances (e que também varia para outros países em que é a língua oficial). Toda minha memória, história de vida e como eu aprendi a me expressar estão profundamente atreladas a ela.

Na busca por ser mais “eu mesma” em Inglês, me deparei com as “expressões idiomáticas”. Adoro trocadilhos e metáforas, uso com frequência em Português. Elas têm me ajudado a me expressar melhor, trazendo espontaneidade e humor.


Alguns exemplos:

  • “To cost an arm and a leg” (custa um braço e uma perna): algo muito caro, é o mesmo que “custou um rim”;

  • “When pigs fly” (quando os porcos voarem): ou seja, nunca! Aqui se parece com “nem que a vaca tussa”;

  • Make a mountain out of a molehill (fazer o morro ser uma montanha): ser exagerado, como quando falamos “fazer tempestade em copo d’água”;

  • "Once bitten, twice shy" (uma vez mordido, duas vezes tímido): significa que quem teve uma experiência ruim, fica mais cauteloso numa próxima. O Inglês nunca terá as expressões “Macaco velho não mete a mão em cumbuca” ou “gato escaldado tem medo de água fria”, que são bem mais divertidas;

  • A piece of cake (um pedaço de bolo): algo muito fácil, “mamão com açúcar”;

  • Cry over spilled milk (chorar o leite derramado): que paz, essa é igual!

Para além do uso das expressões idiomáticas e ampliação de vocabulário, estou cada vez mais convencida de que para chegar o mais perto possível de “me sentir eu mesma em outra língua” (porque talvez nunca seja 100%), é preciso prática, muita prática, um bocado de autoconfiança e, principalmente, me desapegar da perfeição. Ainda bem que os estudos na TALKNTALK tem me ajudado com isso!


Já consigo “me virar” muito bem em Inglês, posso entender e ser entendida, elaborar conceitos complexos e até expressar meus sentimentos (e olha que esse aqui foi difícil!).

Além do mais, sou brasileira, são 27 anos existindo em Português, não tive a oportunidade de conviver com pessoas de fora e só agora consegui me dedicar de verdade para a língua. Tá tudo bem, sabe? O importante é continuar firme e forte, estudando, praticando e celebrando nossas evoluções em outro idioma.



Ufa! Muitas ideias, inquietações e descobertas quando o assunto é falar outra língua.


Me conta, se sente assim também?


Compartilhar nossos anseios e dificuldades é essencial em nosso processo de aprendizagem e essa troca é uma das minhas partes favoritas enquanto aluna da TALKNTALK: me sinto segura para errar, aprender e seguir na busca pela fluência e autenticidade no Inglês - ou em Espanhol, Italiano e Francês, que também estão disponíveis na plataforma. Mas esse é um outro papo).


Obrigada por chegar até aqui! Nos vemos nas imersões :)


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